Arquivo mensal: março 2014

As janelas do Louvre

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Me perdi em mim dentro do Louvre. Já não conseguia mais filtrar tudo que via.
Não era apenas sonho realizado, era também expectativa superada, projeto concretizado.
Não eram apenas obras já decifradas, classificadas e massificadas. Eram paredes detalhadas, molduras elaboradas e tetos ornamentados. Eram turistas maravilhados e estudantes atarefados.
O mundo se encontra em um canto desses. O passado e o agora.
E ao transpassar a vista pela janela as imagens continuam me fazendo calar. Agora misturadas à chuva, aos pombos, ao tempo independente da hora.
O verde do musgo dá vida ao que está inerte. Define detalhes, diferencia nuances. Torna comum o que é extraordinário.
E o mundo continua lá fora, com suas esquisitices, desigualdades e oportunidades.
E eu continuava perdida, sem saber ainda pra onde olhar e calada até a alma. Respirei fundo e voltei. Primeiro dentro de mim, pensei. Mais tarde me aquieto lá fora.

 

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Por que o tempo?

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Por que o tempo escorre,

As vezes só corre, outras socorre?

Por que o tempo engana,

às vezes reclama ou outras te esgana?

Por que o tempo é senhor,

às vezes reforça o amor, em outras reforça a dor?

Por que o tempo seduz,

às vezes noite, outras tantas, luz?

Quando digo que não tenho tempo, a que me refiro?

Que tempo é este, que quando preciso é pouco e quando peço pouco, se alonga infinito?

O tempo muda o tempo todo. O tempo cala, o tempo ensina e algumas vezes caleja.

O tempo clareia, o tempo cura.

Certo mesmo é que o tempo passa. E nós passamos através dele.

O que vi no caminho

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Cada esquina um abismo. Cada decisão uma proposta.

Onde está escrito que as rotas estão sempre certas? Que os rumos não mudam no meio caminho?

Um tropeço, uma virada enganada e tudo se modifica.

As estações se seguem, as pessoas se fotografam. Nem tudo que se vê é o que se viu minutos antes. Nem tudo o que se percebe é igual para todos os que cruzam o mesmo caminho.

Tentei não criar expectativas. Tentei me deixar levar pela emoção. Horas funciona, outras não.

Tudo é luz, tudo é novo, mesmo que repetidamente visto em filmes, fotos e cartões postais.

Saí uma volto outra. Os caminhos são livres, alguns pedágios cobrados. Se valem a pena, só atravessando para saber.

Certeza de que o arrepio no pescoço, o desconforto e a busca por mais um destino estarão sempre presentes. Caminhos externos ou interiores, pois como dizia Quintana “viajar é trocar a roupa da alma”.