Arquivo mensal: julho 2014

Causos de viagem: Uma apple pie no McDonald’s

Estava xeretando umas receitas aqui, lembrei de outra história. Aconteceu no mesmo dia da história da lavanderia.

Não bastasse a tentativa de lavar a roupa, depois de fielmente executada, roupas devolvidas no quarto (serviço completo), estavam os três com fome e eu ainda estirada na cama com febre, ou se sem febre, sem vontade de sair da cama.

Resolvem então ir ao McDonald’s, numa avenida lateral do hotel. Fácil e rápido. Como pedir? One number two; two  number four; three cokes. My credit card, thank you.! Meu marido perguntou se eu queria alguma coisa e eu só queria uma tortinha de banana, mas como lá não havia à época (não sei se já tem), servia uma de maçã. Não precisava sanduíche, nada. Só dormir e uma tortinha de maçã.

Seguem os três para a lanchonete. Chegam. Sem fila. Ótimo!

Hora de pedir: Cadê a tal da apple pie no letreiro interno? Apple, apple, apple – Achou! Pede uma também.

Meu filho estranhou e disse que não era  torta de maçã – que eu havia pedido uma apple pie. Dalton argumentou que devia ser sim, pois era a única apple qualquer coisa do cardápio.

Atendimento padrão Mc (americano, pois o cuiabano tá um horror), chega a atendente com a bandeja. Sanduíches e batatas fritas, copos para se servirem de coca na máquina, e um bolo de maçã. Mais para um cupcake de maçã do que a torta que eu havia solicitado.

E agora, como explicar para a atendente que não era bem isso o que eles queriam ou pensaram que era? Não se explica! Foi mais fácil levar o apple bread para mim, vai que eu gosto!

muffin

Não gostei. Fiquei sem comer. Tomei mais um tylenol (não me auto mediquei não – marido médico), e acordei -faminta – pronta para a aventura no dia seguinte.

Atalhos

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Existe algum atalho para o passado?

Por que saudade?

Tão poucos dias serão suficientes?

Ou desnecessária intimidade?

 

Existe algum atalho para lembranças?

Sons, cheiros, imagens, vestígios?

O presente o passado formatou?

No futuro o presente mera comodidade?

 

Existe algum atalho para o coração?

Momentos e projetos?

Onde guardamos amigos e segredos?

Onde guardarmos brilho e sentimento?

 

Existe algum atalho voltado para mim?

Ponte cortando caminhos?

Segunda rota a ser desbravada?

Apenas jornada, um fim?

 

Corta rota, corta caminho.

Corta jornada, um desatino.

Abre sonhos, abre janelas,

Destranca mentes, quebra arruelas.

 

Retoma passado, aproxima futuro,

Engrandece pessoa, diminui a busca.

Devolve a mim, devolve a todos,

O tempo por vir, elo grandioso.

Causos de viagem: Mendoza – Argentina


Sou completamente apaixonada pela Argentina. Não sei explicar, mas foi amor á primeira vista quando fui adolescente  para Buenos Aires, em plena confusão do golpe militar. Não sei se meu pai, especialista em aventuras, com nota “5 tacapes” na carteirinha da Funai em “Programas de Índio” quem nos acostumou a grandes percalços.

Bom, mas a história agora é um pouco mais moderna.

Há alguns anos fomos os quatro – Benatto Ferreira – novamente para a Argentina. Novamente porque fomos algumas vezes aproveitando o turismo mais barato e muita coisa pra visitar.

Desta vez faríamos Buenos Aires – Mendonza – Santiago do Chile.

mendonça

Para conhecer bem o trajeto optamos por fazer o trecho BAs – Mendonza de ônibus. Aventura 1 – rodoviária em Buenos Aires – deixa a do Tietê no chinelo – e a “zona” imperante é igual. É uma bagunça organizada, com milhares de ônibus saindo e entrando a cada minuto.

Escolhemos viajar num “coche-cama”, equivalente ao carro leito no Brasil, pois se não me engano são umas 14 ou mais horas de viagem, com o charme das viagens aéreas. Há duas rodo-moças por ônibus, e as refeições são servidas em trânsito, no nosso caso um jantar e café da manhã.

Assim que entramos vem as explicações sobre o funcionamento do ônibus e a condição: Os banheiros do ônibus são para “dejetos líquidos”, em caso de “dejetos sólidos” favor avisar a rodo-moça que repassaria ao motorista visando parar imediatamente no primeiro posto de gasolina, loja ou local mais apropriado para tanto. Avisa ainda que as refeições seriam servidas às, sei lá, 20:00 horas e às 5:00, e que neste caso, os banheiros do ônibus fechariam para uso, quinze minutos antes do serviço, só abrindo também 15 minutos após o término. E tem uísque, vinho, refrigerante, suco, jantar com cardápio a escolher e café da manhã com direito a tostadas y dulce de leche.

Não tenho grande experiência em viagens longas de ônibus no Brasil, mas me parece que aqui o que as pessoas mais gostam é do banheiro do ônibus, porque haja movimento! Nunca está vazio e quem senta nos arredores sofre 90% da viagem.

Mas, voltando à aventura. Descemos em Mendoza, numa rodoviária bem maior do que a nossa de Cuiabá e pegamos um táxi na fila para irmos para o hotel.  Não me lembro que carro era, mas era da Chevrolet, de nacionalidade brasileira.

Não sei porque motivo, coloquei minha bolsa pessoal no espaço atrás de nossas cabeças. Ao chegarmos no hotel  descemos, nos despedimos e eu entrei para fazer o check-in da família. Quando vou pegar a reserva na bolsa: Onde está a bolsa? Sim. Havia ido embora com o taxista.

A moça da recepção, super solícita, ao tentar me ajudar perguntou de que companhia de táxi era. Ahn??? O quê? Perguntou ainda se anotamos o número do táxi. Ahn??? O quê? Não. Nunca pensei (até aquela data) em anotar número de táxi ou companhia operadora. Ultimamente até fotografo.

Fomos para o quarto e liguei para as cinco companhias que atendiam a rodoviária e expliquei o drama da bolsa esquecida, pedindo para que eles “passassem um rádio” para os motoristas para ver se algum havia encontrado a bolsa. Tive que responder cinco vezes que não, não havia visto de que companhia era o táxi e, não, não havia reparado ou anotado no número do carro. Só sabia o tipo do carro. O que não ajudava muito, pois a maioria deles era do mesmo tipo.

Espera um tempo, retorna as cinco ligações para me dizerem que ninguém havia encontrado a bolsa. Eu e Dalton deixamos os filhotes no hotel e rumamos, em outro táxi, para a rodoviária, para lá ver se encontrávamos o taxista. Isso num universo de centenas de táxi. Muy tranquilo!

Bom, mais um passeio pela rodoviária. Conversei com inúmeros taxistas e dei por perdidos meus documentos e demais tranqueiras que estavam na bolsa. Minha sorte que o RG estava nela e eu havia colocado meu passaporte na mochila do Dalton. Como viajar pelo “PACU” (Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai)  não precisava de passaporte (atualmente Venezuela pelo Mercosul também não exige), eu tinha dois documentos para circular.

Retornamos ao hotel, mas nesse instante eu pra lá de braba com toda a situação. Ao entrarmos na recepção vem a atendente toda faceira me dizer que o motorista tinha devolvido minha bolsa e que já estava com meus filhos no quarto.

Segundo ela o motorista assim que saiu do hotel pegou outro passageiro na rua principal – lá de você esticar o braço pra ver as horas para um táxi – e quando parou no endereço dado pelo novo passageiro percebeu que ele estava com uma bolsa preta feminina, sendo que ele não havia entrado com ela no carro.

Ele teria perguntado para o passageiro sobre a bolsa e este falou que estava atrás do encosto de cabeça e que ele pegou para ver se tinha documentos para devolver (me engana que eu gosto).  O motorista então pegou minha bolsa com o rapaz e foi ao hotel para devolver. E mais legal, cobrou apenas o valor da viagem de onde estava até lá, o que deu, uns 15 pesos à época – o que não era nada.

Se eu estivesse no hotel na hora da devolução ele até teria levado uma boa gorjeta em agradecimento. Entretanto este motorista está sempre no meu pensamento como uma das pessoas que me fazem acreditar em um mundo justo e honesto. E como sempre me dizem uns amigos, ainda que na Argentina. Ideia com a qual eu não concordo. Meu lado portenho até fuma, come carne mugindo e dança tango no melhor estilo. Só não consegui ainda gostar de alfajor.

Cuiabana entre peixe e manga

Acabamos de almoçar em uma peixaria que adoro. Farta variedade de peixes, mojica de pintado, ventrechas, farofa de banana. Culinária local, simples e deliciosa. Mas, voltando pra casa vim pensando como meus netos verão  Cuiabá.

O Rio Cuiabá morre cada dia mais desolado, está um nojo. Não há ponto na cidade onde possa ser visto sem que eu sinta dor no coração. Sem falar que quando cheguei na cidade  ele não era mais saudável nem para banhos e muito menos para pesca. Os córregos da cidade continuam depósitos de lixo, garrafas pet, geladeiras e restos de animais, sofás e outros dejetos indescritíveis.

Os peixes que comemos nos restaurantes locais vem de fora ou de tanques. O mercado do Porto tem uns exemplares lindos de pintados, peraputangas, pacus e tantos outros, mas, como boa parte dos cuiabanos e mato-grossenses estes peixes são “paus-rodados”, não tem nenhum de “tchapa e cruz”.

Cuiabá que era chamada Cidade Verde nos últimos anos não merece este nome. E para frente, acredito que a designação se perca de vez. O desmatamento urbano e a retirada dos canteiros que dividiam as avenidas principais da cidade enterraram bem fundo o resto do verde que havia.

É preciso que a recuperemos dos últimos acontecimentos locais. Tanto pelas obras que a devastaram, como da especulação imobiliária que acaba dia pós dia com os imensos quintais antes tão característicos; seus cajueiros e mangueiras. Me parece que mais um pouco todo caju e manga que teremos na cidade serão importados do nordeste.

Quando cheguei em Cuiabá, uma das coisas que mais me chamava atenção era haver mangueiras nas calçadas. Uma árvore frondosa, com sombra farta e os mais variados tipos de manga. Hoje em dia não se vê mais tantos quintais “frutíferos”. Só cimento, reflorestamento de viveiros, árvores replantadas.  Em muitos projetos residenciais ou prediais, primeiro arrancam as árvores locais para no fim da obra serem plantadas outras no mesmo lugar. Não consigo entender. E nas ruas, saem as mangueiras e cajueiros, para se plantar ficus, palmeiras  ou outras plantas com flores, mas que não fazem boa sombra.

Havia um restaurante na cidade chamado Bosque, onde, entre outubro e março, era constante você estar jantando ou conversando com os amigos na parte externa e de repente ser atingido por uma enorme manga bourbon na cabeça. Era sempre uma aventura sentar lá.

O progresso cobra um preço muito alto. Todos queremos qualidade de vida, ar condicionado,  mobilidade urbana (tema tão em moda). Mas no fundo e não tão fundo assim, precisamos de parques para caminhar, levar os filhos brincar, praças arborizadas  e bem cuidadas para ver o tempo passar. Não adianta nada uma praça toda de cimento com brinquedos de ferro e concreto numa cidade com a temperatura como a nossa.

Precisamos  ter o rio Cuiabá recuperado, para que não seja apenas recreação de quem não tem condições de buscar outra forma de lazer e que depois do banho do rio não tenha que ir para uma UPA tratar de “pereba” na pele. Precisamos que alguém compre a briga da Salgadeira, desativada há 3 ou mais anos e até agora fechada com aqueles tapumes horrendos, matando a paisagem maravilhosa da estrada. Precisamos que os ipês que estavam em suas primeiras florações e foram retirados dos canteiros sejam devolvidos às avenidas.

Meus netos merecem conhecer uma Cuiabá com seus peixes e suas mangueiras.

 

 

Causos de Viagem: Cena 2 – lavando roupa no hotel.

Não que eu seja písica com limpeza e organização, mas viajar por muito tempo sempre demanda uma ou outra sessão lavanderia. E esta história eu não presenciei, apenas tenho o relato. E ocorreu na mesma viagem do primeiro causo:

Hotel em Orlando, eu na época era a única que falava inglês em casa e por azar,  estava numa gripe fatal. Fico no quarto dormindo sob efeito de um tylenol americano porreta (sem brincadeira, eles tem um sem números de variedade de tylenol, um para cada tipo de febre).

Meu eficiente marido resolve então distrair os filhos pelo hotel e aproveitar para lavar as roupas sujas.  Máquina de lavar, algumas moedas, sabão no recipiente correto, apertar o botão ON, uns 10 minutos e está pronto. Muda para a de secar, mais algumas moedas, apertar botão e esperar parar. Fácil e rápido. Qualquer um faz.

lavanderia

Saem os 3 felizes da vida. O hotel era enorme, vários módulos. Nosso apartamento do lado oposto de onde ficava a recepção e a área de recreação e de serviço.

A primeira aventura foi ele solicitar moedas para a moça da recepção. Porém  nada que uma nota de 10 dólares não resolva e palavras como “please” “change”, “coins” “washing machine”, “thanks”, não resolvam.

Etapa um cumprida, seguem todos para o setor de serviços. Chegando lá descobrem que além da lavanderia, sala de sinuca, sala de jogos de mesa,  há ainda a sala de brinquedos com vídeos games e outros games. Todos estes jogos, como tudo em hotel, usavam fichas também.

Separam-se as moedas para a lavagem das roupas e o resto segue para as mãos de duas crianças loucas para jogarem nos fliperamas do local.

fliperama

Fica o marido na lavanderia seguindo os passos: jogar as roupas na máquina (pronto), colocar o sachê de sabão (pronto), apertar o Power ou o On da máquina e aguardar.

Enquanto ele começava a saga, chega um oriental (não temos certeza da procedência dele, apenas dos olhinhos puxados) e os dois começam um papo cabeça entre duas pessoas que não falavam inglês.

pixu-lin

E a roupa tá lá na máquina rodando. Meu solícito marido ainda pensa: Ué, mas que hora que entra a água nesta “encrenca”?!  O oriental fala (ou explica) pro meu marido: Dry! Dry! E ele – marido –  percebe que havia colocado a roupa na máquina de secar e não na de lavar. Só que com um senão: ele havia comprado exatamente o valor para o uso de duas maquinadas, a de lavar e a de secar e o resto em fichas dos brinquedos. Por conta disso teria que voltar na recepção e trocar mais moedas para refazer o serviço.

Para então a máquina de secar. Tira a roupa “pelando” lá de dentro e a coloca na lavadora e resolve ir com as crianças enquanto a máquina lavava a roupa, trocar o resto das moedas.

Brasileiros, (nós certamente) não estávamos acostumados a acreditar que poderíamos deixar a roupa lavando e voltar para buscar mais tarde, mas não havia outro jeito. Mais fácil deixar a roupa do que os filhos. Chama os dois  e se dirigem à recepção.

Logo que saem da sala de brinquedos havia, um pouco mais pra frente, uma daquelas máquinas coletoras que troca dinheiro. Obaaaa! Não precisariam ir lá no outro prédio para trocar as moedas. Coloca 5 dólares ou sei lá quanto, mas acredito que os cinco que sobraram da primeira compra, na tal máquina, aperta o botão vermelho e Tlim, tlim, tlim… se sentem em Vegas com as moedas caindo.

tokens

 

Para infelicidade dele a máquina no corredor era de fichas de vídeo game e não de moedas. Meu filho amou de paixão aquele tanto de fichas de 25 centavos nas mãos.

Resultado, tiveram que atravessar o hotel todo de novo para ir no quarto buscar mais dinheiro, retornar na recepção, trocar mais um pouco de moedas para a última maquinada.

O que era pra ser uma simples lavada de roupa e distração para crianças virou uma boa história. E, por mais alto que você seja, há um código nas lavanderias, as máquinas de baixo são de lavar e as de cima de secar. Atualmente já temos as que lavam e secam numa só. Mas se assim fosse, que graça teria?

 

* imagens do google

Causos de Viagem: A caminho de Tampa

Há alguns anos levamos “as crianças” para a Disney. Já no avião a primeira surpresa – saímos de Cuiabá numa temperatura escaldante de janeiro. Vínhamos monitorando o clima na Flórida, inverno; fresco para nossos padrões, mas nunca “friiiiiio”.

Uns amigos chegaram de lá no dia anterior da nossa viagem e contaram que estava gostoso. Friozinho de 15 graus à noite e 20/22 de dia – típico frio cuiabano, o que é bem agradável quando se está de férias.

No meio do voo o comandante dando as coordenadas – tantos mil pés de altitude, tempo de voo e outras informações, falou: “ Em Miami 4 grau centígrados!” Quase cai pra trás. Nossos agasalhos eram meia estação, preparados para os 15 graus do dia anterior. Resultado: saímos do aeroporto, onde alugamos um carro e fomos às compras, casacos mais grossos, luvas e outras “cositas más”. Isso sem nem baixar as malas no hotel! Era o maior frio dos últimos 20 anos na Flórida e justo quando chegamos.

busch gardens 2

Dias depois nosso projeto era o Busch Gardens, em Tampa, aproximadamente 140 quilômetros de Orlando. Estrada comparável com a BR364 entre Cuiabá e Rondonópolis de mal cuidada e cheia de caminhões… brincadeira – um super tapete, extremamente sinalizada, com placas indicativas daquelas saídas “exit 001…exit 002” que se você perder a saída certa, vai dar a volta ao mundo para retornar. Mas, em tempo de mapas nas mãos, ainda não havia GPS nos carros americanos, nos perdemos entre a saída correta e a nova estrada.

Estávamos em outra autopista, sem nem um único posto de gasolina para pararmos (nas rotas principais você tem que sair da estrada principal para ir a um posto, eles não ficam à beira do caminho). Entre a pista que estávamos e as de volta grama verdinha. Havia um grupo de moças aparando a grama (dúvida: grama é podada, aparada ou cortada?).

Desço do carro com o mapa na mão e explico para uma delas que estávamos perdidos e precisava confirmar se aquela era o caminho para o Busch Gardens. A moça olhava em volta aflita. Aflita mesmo! Me apontava um carro longe e dizia: “- Fale com minha coordenadora. Eu não posso lhe dar informação.” Falou umas três vezes e sem responder minha pergunta! As outras se afastaram enquanto a primeira falava comigo.

Sem entender agradeci e contrariada me dirigi ao carro da coordenadora que estava um pouco afastado. Uma Blazer cinza chumbo. Quando estou chegando perto percebi que havia uma senhora no assento dianteiro do carro, me olhando profundamente. Chego ao lado e vejo o emblema na porta do carro: “Penitenciária do condado de sei lá onde”.

blazer

A senhora, típica de filmes americanos – gorda, unhas postiças enormes e fumando no carro, me atendeu pela janela do carro com uma escopeta no colo. Eu devo ter olhado para ela com a cara assustada, mas expliquei que éramos brasileiros e estávamos inseguros do caminho e que só precisava confirmar se aquela era a estrada certa para chegarmos ao parque. Ela me disse secamente que sim e me deu um aviso: Se eu visse pessoas uniformizadas cortando grama e arrumando a parte externa das estradas que eu JAMAIS parasse para conversar com elas. Que eu poderia tomar um tiro direto – sem direito a explicações ou direitos humanos ( esta parte ela não mencionou. Percebi sozinha.) porque eram sempre presidiários que faziam o serviço, e eu poderia ser tomada por alguém que estaria despistando para resgatar um deles . No caso, uma delas.

presidiários estrada

Voltei rapidamente para o carro. Acho que até branca do susto e fomos para o parque. E, a partir daquela data (isso antes do fatídico 11 de setembro – nem o medo de terroristas havia ainda) não paramos mais para perguntar para os trabalhadores nas estradas.

Causos de Viagem – introdução

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Viajar, aqui em casa, é normalmente um acontecimento cheio de aventuras. Férias na praia, no campo, em família, aproveitando o recesso natalino, sempre tivemos mais de 2000 quilômetros pra percorrer. E acabam resultando em boas histórias para contar.

Fazemos planejamento anterior dos lugares que queremos visitar, deixamos dias em aberto para programas locais e inesperados. Tudo organizadamente desorganizado, ou ao contrário, desorganizadamente organizado.

Nos últimos anos desistimos de viajar de carro. Estradas cheias, esburacadas e mal sinalizadas, motoristas de caminhões tresloucados, e pouco tempo são alguns dos motivos para sairmos pelo Marechal Rondon (o que por si só já é uma epopeia também) e quando dá ou se faz necessário, alugamos um carro no destino. Caso contrário, pernas pra que te temos, ônibus, metrôs etc., etc. Este ano até fizemos um passeio de bike, mas isso é uma história por si só.

Já venho há algum tempo escrevendo as minhas “cenas do cotidiano” – Situações do meu dia-a-dia que o transformam em algo inesperado, engraçado, dolorido, ou um pouco de tudo.

As histórias de viagem vão depender muito da minha memória, somada à dos familiares. Nem sempre eles veem as coisas como eu vejo. Por exemplo: sempre achei divertido a falta de mapas, não andar com GPS. Algumas das situações mais gostosas, lugares mais pitorescos encontramos quando estávamos perdidos. Sorte que nunca passamos um apuro! Mas a ideia de sair de um lugar A e chegar exatamente no lugar B, pelo mapinha eletrônico e aquela voz dizendo: virar a esquerda a 100metros, me deixa um pouco entediada. Adoro parar em postos de gasolina, farmácia, botequins, postos do corpo de bombeiros etc, onde tem gente e perguntar como se chega no lugar X.

E os relatos também vão estar misturados, um dia pode ser algo que já tem alguns anos, e na próxima, a viagem deste ano.
Só vou me dar ao direito de mudar o nome dos meus companheiros de viagem, quando estes não quiserem aparecer na minha história, em respeito à amizade e individualidade de cada um. Os de casa são fáceis de serem descobertos, os demais ficam na imaginação de cada um. Se me autorizarem conto o santo, senão só o milagre.
Amanhã começo. Estou cansada e com sono. Boa noite!

Cenas do Cotidiano

Supermercado domingo a tarde, aproveitando que tem jogo na tv e ele está vazio. Acompanho cantando “California Dreaming” que toca no sistema de música ambiente enquanto escolho material de limpeza. Uma menina de uns 8 a 10 anos me olha, vê que eu estou cantando, vira pro pai e pergunta: – Pai esta música é muito velha?! (Pausa e silêncio sepulcral) – Não me sobra outra alternativa a não ser rir e esperar que a próxima música seja Anitta, um pagode ou uma outra sertaneja que eu conheça e possa cantar também!!

BOLHAS DE SABÃO

bolhas 2

Água e detergente,
Potinho,
Canudo.
Precisa mais pra ser feliz?

Sopro de vida,
sopro de riso,
Brincadeira de criança
De qualquer idade.

Prisma de luz,
Formas variadas,
Estouros imediatos,
bolhas ao vento.

Brincadeira solitária,
ou enfeite de máquina,
mesma magia,
sorrisos de felicidade.

Em volta da banheira,
soltas no parque,
Festas de 15 anos,
Algumas de casamento.

Sobem com o vento,
ou molham o chão.
Não há quem não sorria
com bolhas de sabão.

A lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!

Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?

Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer

Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos

Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.

Oswaldo Montenegro

Link: http://www.vagalume.com.br/oswaldo-montenegro/a-lista.html#ixzz37FhRmvGQ
A lista – Oswaldo Montenegro