Arquivo mensal: setembro 2014

Novamente Osvaldo – A lógica da criação

Eu nunca tinha ouvido esta canção, mas como tudo do Osvaldo Montenegro, fiquei arrebatada. Seguem letra e música.

 

O mérito é todo dos santos
O erro e o pecado são meus
Mas onde está nossa vontade
Se tudo é vontade de Deus

Apenas não sei ler direito
A lógica da criação
O que vem depois do infinito
E antes da tal explosão

Por que que o tal ser humano
Já nasce sabendo do fim
E a morte transforma em engano
As flores do seu jardim

Por que que Deus cria um filho
Que morre antes do pai
E não pega em seu braço amoroso
O corpo daquele que cai

Se o sexo é tão proibido
Por que ele criou a paixão
Se é ele que cria o destino
Eu não entendi a equação

Se Deus criou o desejo
Por que que é pecado o prazer
Nos pôs mil palavras na boca
Mas que é proibido dizer
(Ora pro Nobis)
Porque se existe outra vida
(Ora pro Nobis)
Não mostra pra gente de vez
Por que que nos deixa nos escuro
Se a luz ele mesmo que fez

Por que me fez tão errado
Se dele vem a perfeição
Sabendo ali quieto, calado
Que eu ia criar confusão

E a mim que sou tão descuidado
Não resta mais nada a fazer
Apenas dizer que não entendo
Meu Deus como eu amo você

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Felipe

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Não é por ser mãe deste gato que escreverei este relato e sim por conta do orgulho de ser mãe de um homem tão do bem.

Felipe, hoje você está completando mais um ano de vida, mas quem celebra esta data sou eu. Minha vida se iluminou completamente desde a primeira vez que te vi, ou melhor, desde que me descobri grávida. Porém, naquela sala de parto, você gordo e lindo, fez um sol nascer dentro de mim.

Me fez descobrir uma força que eu não sabia possível e me fez imaginar medos que jamais pensei que fosse cogitar. Me encheu de tantas certezas, em contrapartida a todas as incertezas em como ser mãe e educar um filho.

Me ensinou a ter mais paciência e ao mesmo tempo  a ser completamente elétrica. Me ensinou a confiar nos meus instintos ainda  que minhas dúvidas aumentassem.

Me mostrou um mundo mais lúdico ao mesmo tempo em que questionava enciclopedicamente a razão de tudo. Me fez criar subterfúgios para colocar espinafre na comida em modos jamais pensei ser possível.

Me fez ter a certeza de que criamos os filhos para o mundo, ainda que no fundo do nosso corpo (não apenas coração) os queiramos juntos, agarrados a nós. E desta vivência tenho a convicção que no fim quem sofreu e aprendeu mais foi você com todas as experiências pelas quais passou. Eu fui aprendendo a ficar de espectadora;  de rede para suportar possíveis quedas e escorregões.

Você não veio com manual de instrução – já te falei isso antes. Entretanto trouxe junto um caderno em branco para que escrevêssemos a história de nossa família.

Saudade pra mim tem nome e sobrenome, você sabe disso. Saudade atualmente mora em São Paulo.  Tão longe e ao mesmo tempo tão perto, porque nunca saiu de dentro de mim.

Me orgulho muito de você estar buscando seus caminhos. Só posso continuar aqui esperando ser o socorro que espero você nunca precise, mas saiba que pode contar, se necessário.

Feliz Idade Fê! Que meu sentimento de amor eterno te envolva e você se sinta aconchegado, ainda que quem precise deste aconchego seja eu. Te amo o universo e agradeço na mesma proporção você ter vindo pra mim.

 

 

 

 

O amor – Khalil Gibran

 

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
“Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.

Gibran Khalil Gibran
Citações do livro o Profeta.

Não tenho medo da morte – Gilberto Gil

Não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor
ou vontade de mijar

a morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
o além já será então
não terei pé nem cabeça
nem figado, nem pulmão
como poderei ter medo
se não terei coração?

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte e depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

então nesse instante sim
sofrerei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade
como em qualquer despedida.