Arquivo mensal: outubro 2014

Um minuto, uma hora, um dia

 

Cada um de nós escreve sua própria história. Não nos cabe, embora façamos, julgar as decisões e comportamentos alheios. E por conta disso fica a uma pergunta no ar: o que temos em comum com os demais?

Pode não parecer no mundo que vivemos hoje, mas a mim, me parece que o sentimento de bondade é o que une a humanidade, tanto quanto a satisfação das necessidades básicas – segurança, alimento, abrigo e afeto.

A bondade sem necessidade, sem imposição. Representada em atos simples, como dar dar um bom dia a quem passa. Conhecer alguns “invisíveis” que passam por você todos os dias – do varredor de rua à “tia do cafezinho” e que fazem sua vida melhor. Ou agradecer a quem lhe deixa passar quando você corta uma fila (não é furar fila). Um simples pedido de desculpas quando se esbarra em alguém enquanto,  andando rápido pela calçada e só presta atenção ao celular (pra não dizer umbigo), ou desculpar quem age da mesma forma. Pode ser ainda ajudar quem tropeça em público ou cai derrubando bolsa, papéis, compras de mercado. Ou grandes gestos – liderar campanhas de ajuda a necessitados – humanos ou animais, mas algo com que você se identifique.

A bondade se manifesta em se doar um pouco por dia. Há quem goste de visitar abrigos, creches, hospitais. Há quem diga não ter tempo para isso. Tem-se que se respeitar ambos. Mas sempre digo que se você não pode visitar quem quer que seja, contribua de outra forma. São  inúmeras as associações que buscam as doações na sua casa. De sapatos velhos (usáveis, por favor) a cestas básicas. Dá pra contribuir com tudo e atualmente o contato com estas associações está mais fácil com a internet.

Já pensou em agradecer de forma diferente o rapaz que todo dia limpa a mesa do refeitório onde você trabalha? Tipo: Sabe “nome da pessoa”, eu nunca te agradeci por deixar o refeitório sempre arrumado pro nosso intervalo – Obrigada!

Não precisa ser falsa, dizer que ele é lindo  ou que faz um trabalho maravilhoso. É ao mesmo tempo algo mais simples e verdadeiro. E sim, sei que o trabalho dele é arrumar o refeitório. Mas se você gosta que te reconheçam no “seu” trabalho, porque não achar que os outros também não querem igual reconhecimento?

E ao contribuir, o que você recebe? Muitas vezes nem um “muito obrigado”, isso é certo. Entretanto outras vezes, grande parte delas,  vai receber o melhor sorriso da outra pessoa, um abraço, uma oração. E, neste momento, o seu mundo se iluminará. Seu dia ficará leve , seu coração transbordando e a crença na humanidade renovada.

Pode ser este elogio de um minuto. Talvez visitar um asilo uma vez por mês por uma hora; ou ainda um dia todo de atividades voluntárias. Não importa! O que vale é você ter consciência que estas atitudes mudam o mundo, pra melhor. E mudam o seu mundo antes, o que convenhamos pode ser tão interessante quanto.

Como disse Buda: “Toda grande caminhada começa com um simples passo.

 

 

 

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Me Reinventando

eu montagem

Hoje cantarei Parabéns Pra Você pra mim.

É muito tempo e ao mesmo tempo tão pouco.

É muita coisa para contar, porém ainda mais para explorar.

É muita ausência que vai ficando, mas muito espaço no coração para preencher.

Na gangorra da vida meus altos são maiores que os baixos.

Ainda que de vez em quando a balança dê umas resvaladas no lado fundo, gosto mesmo é de olhar o mundo lá de cima.

Crise dos 30, 40 e 50 parecem figuras dos contos da Lya Luft. Coração mais calmo que dá até para perguntar: Será que está parando de bater?

Fui quando nova muito medrosa. De criança tímida e parada, e adolescente com medo de altura, de gente, de espaços fechados, penso que me tornei uma adulta interessante e agora uma pré-idosa jovem de espírito.

Tenho tentado me desafiar cada vez mais envolvendo meus medos e aflições.

Tenho buscado conhecer gente nova e desenvolver novos laços e interesses, e ao mesmo tempo fortalecer os que me são importantes há tempos.

Viajei para revisitar amigos, parentes e lugares; mas no fim, fui resgatar a mim mesma. Retomar uma essência que se não perdida, estava deixada de lado. Fui condimentar a vida.

Meu agradecimento a cada um que passou por mim este ano; que me fez sorrir mentalmente; que me fez chorar no chuveiro; que me causou algum tipo de emoção.

Minha gratidão ao verão nordestino, cheio de risadas e camarão. Ao inverno europeu, repleto de beleza e descobertas. À primavera paulistana sem estar a trabalho, abraçando minha saudade maior.

Minha gratidão ao meu dia-a-dia, ora corrido, ora devagar, mas que quando vou me deitar é sempre perfeito.

E que venha mais um ano, porque este completado hoje está escrito. Quero mais é aprender e vivenciar o futuro.

 

 

 

Géci

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Hoje minha mãe estaria fazendo 12 anos. Quem não a conheceu pode achar isso estranho, mas ela nunca falou a idade que tinha. Para quem lhe perguntasse a idade ela sempre responderia 12 anos. E se a pessoa quisesse ainda saber, ela entregava a carteira de identidade e deixava que a própria fizesse a conta, mas ela se negava a dizer.

Isso virou um folclore, assim como quando alguém pronunciava errado seu nome:  Géci, com acento agudo no E. Ai de quem a chamasse de GecÍ ou algo assim.

Minha mãe era pequena,  franzina. Tinha cinturinha tipo Brigitte Bardot nos anos 60, ainda que com mais idade. Tenho dificuldade em recria-la mentalmente. Nas últimas vezes que a vi, já doente, estava ainda menor. E na última,  na UTI,  a encontrei tão inchada e diferente que não a reconheci e pedi para que me levassem à paciente certa, não aquela que eu estava ali inerte atada a respirador, sonda e outros equipos que a mantinham conosco ainda que ela não desejasse.

Ela sempre foi estudiosa; estudiosa de tudo. Acho que este gene os quatro herdamos. Leitora ávida, melhor escritora, jornalista dedicada e muito além da época em que atuava. Pintava muito. Suas aquarelas de flores, duendes e fadas enfeitam minhas paredes e lembranças. Os pinheiros e cenas do campo, em pintura a óleo, acompanharam meu crescimento.

Hoje ela faria aniversário. Detestava esta data, mas ficava feliz em ganhar presentes e ser lembrada. Então, sem citar nada, desejo a ela, onde quer que esteja que permaneça na Luz, com seus eternos 12 anos. Que, se possível, de vez em quando, olhe pra cá e possa se orgulhar da família que criou. De nós quatro; dos netos e netas que acolheu como filhos,  dos que por distância teve pouquíssimo contato e dos que não conheceu.

géci e irmãos

 

 

Sabonete Phebo

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Passa pelo corpo,

Escorrega e pouco espuma.

Perfuma longe,

Me perfuma inteira.

 

Reacende lembranças,

Casa da Tapajós, castelo encantado.

Banheiro frio, cortina na banheira,

Panelinha com fogo aquecendo o ambiente.

 

Lembranças reavivadas.

Sabonete escuro, odor de rosas,

Me reconheço na embalagem

Estou ali, filha emprestada.

 

Hoje de banho tomado, toalha molhada.

Este Phebo hoje não tem mais cheiro de rosas.

Cheira à minha infância,

Minha história e minhas memórias.

Cenas do Cotidiano – Sonar de ré

Frutas no Big Lar, tá muito quente para ir pra feira do Porto. Coloco tudo no porta-malas, atendo o telefone, converso um pouco, e tenho que vir embora. Vou dar a ré, e o sensor tá que bipa.Ops, quase atropelo alguém? não tinha nada atrás de mim, Era eu, o pacoteiro (que já tinha voltado pra dentro) e mais nada. Não tinha ninguém. E ele – sonar – tá que piiiiiiiiiii. Deve estar louco com este calor também. Saio e sinto que o carro tá travado, um barulho de roda presa. Confiro se não sai com o freio de mão ligado. Ando uns poucos metros e resolvo parar para ver o que é. Mas não tem lugar, tenho que subir numa calçada rebaixada mais à frente. Desço do carro e não tem nada na roda; pneu não está furado, nem nada. Quando estou entrando no carro, olho pra trás e a uns 15 a 20 metros está ele, esmagado, arrebentado. Só não tinha sangue… Não tenho certeza que era minha culpa, mas foi muita coincidência. Em forma de sanduíche, deitado na calçada está um dos cones igual aos do estacionamento. Vou ter que voltar lá e me entregar!!! Mas vim rindo até o viaduto do Despraiado.

 

cone

Cenas do cotidiano – Sandália para casamento

sandália

Cenas do Cotidiano: dois casamentos no sábado, saio pro shopping ver uma sandália nova. Escolhida, hora de pagar: onde está a carteira??? Última lembrança, em cima da cama. Explico pra vendedora que vou ter que ir em casa buscar o $$$$. No caixa do estacionamento descubro que já esgotei os 20 minutos da franquia. Sem um tostão na bolsa (pra isso serve a carteira), vou até o carro e só encontro dois reais. Volto caminhar pelo shopping pra ver se vejo algum conhecido pra me emprestar 5 reais. Nenhum. Marido viajando. Filha com celular desligado ou no silencioso. Volto na loja e para explicar que não vou levar a sandália hoje e ficarei feliz se sair do shopping antes da noite. A mesma vendedora se oferece pra me emprestar o valor do estacionamento. Voltei em casa, peguei a carteira, comprei a sandália e resgatei, com a experiência, a fé na humanidade

Causos de Viagem: Cinco tacapes na Carteirinha da Funai

acampando

Erga a mão quem não tem na família alguém que adora uns programas de saída – viagens, passeios, festas – que sejam apresentados como verdadeiros “Programas de índio”. Sem ofender aos primeiros viventes do país, uso aqui a ideia como expressão de passeios diferentes, onde planejamento certamente não é a palavra do dia,  a sobrevivência é quase que milagrosa (exagerando na figura de estilo) e os tacapes correspondem à  nota do programa.

Na nossa casa, a pessoa criativa e delirante, era meu pai. Ainda hoje analisando friamente não sei como ele casou com minha mãe. Ele adorava vida no mato, acampamentos, rios, riachos, ralis no meio do nada, enquanto minha mãe desejava nem sair de casa. E ela ia junto, afinal, alguém tinha que cuidar de quatro crianças enquanto ele se embrenhava no mato e  desbravava os lugares para ver onde mais podíamos chegar.

Minhas memórias são um pouco confusas com relação às datas e destinos. Mas eu me lembro sempre dos tacapes que, como estrelinhas nas tarefas de escola bem feitas, ficaram colados na minha lembrança.

Até hoje não sei como fomos parar  perto de Guarapuava, acampando, em uma excursão da escola da minha irmã, em pleno inverno no sul. Acredito até que tenha sido meu pai quem organizou todo o passeio.  A fazenda de destino era dos pais de uma das participantes, que apenas emprestaram o local para os desbravadores. Eles, sabiamente, não foram  junto.

Se alguém com menos de 30 anos chegar a ler esta história, favor se colocar no contexto. Não havia celular, nem internet, nem telefone fixo – acredito – perto de onde fomos parar. O sucesso ou  insucesso da excursão dependia apenas da nossa vontade de diversão e não faltar comida. Nem bebida havia, pois, se bem me lembro, eu tinha uns 12 anos. No total éramos os quatro lá de casa (14, 12, 11 e 9 anos respectivamente) – meu pai e minha mãe como “cuidadores da tropa” e mais uns 15 alunos, contando com dois primos nossos. Ah, havia também o motorista do ônibus, que não posso dizer onde se escondeu depois que chegamos a tal fazenda.

Além do que, entenda-se que ir pra fazenda, não engloba dormir na sede, num sistema bed&breakfast. A ideia era acampar no meio do campo, numa região rochosa, linda. Lindíssima, posso afirmar.

Meu pai, nestes passeios,  chegava já ia armar as barracas, definir quem ia ficar onde, com quem, e as obrigações – pelo menos não houve necessidade de montar guarda à noite. Nesta ocasião havia um galpão onde se guardava milho, ração e que havia um banheiro – leia-se, UM banheiro.  E, para  nossa sorte, nesta vez, havia um fogão a gás usado pelos peões,  que  acabamos utilizando.

Fim de tarde, cantoria, sopa Campbel’s e pão no povo e um pouco de conversa antes de dormir.

A noite começou  fria como sempre no inverno no sul. Entretanto, no meio da noite, por conta de uma chuva, virou “noite estupidamente gelada”. Não era vento dos pampas, afinal estávamos no Paraná. Mas, a região de Guarapuava é fria demais. No campo então, de tremer, matar de frio, gelar a alma… qualquer descrição que combine com vento, chuva e frio.

Os cobertores levados – cada um levava seu colchão e cobertas – com o terreno molhado e vento “glacial” não esquentaram muito. Sei que no meio da noite, a ideia era onde estavam dormindo ( ou tentando dormir) três, acabamos ficando em seis – pra ver se nos esquentávamos meio que uns nos outros amontoando as cobertas por cima. Ou ao menos, tínhamos a impressão de estarmos mais aquecidos.

No sábado pela manhã, este bando de adolescentes sem dormir direito, estava com o humor afinadíssimo, mas o dia prometia.  Caminhadas no campo. Ver vacas pastando, vacas andando, vacas ruminando. Olhar a paisagem, caminhar mais um pouco. No meio tempo, comer, reclamar, sentar à beira da fogueira para nova sessão de cantoria, sopa e dormir – pelo menos tentar.

Não choveu de dia. Frio sim, mas sem chuva. Todos agitados e se divertindo o máximo que podiam. Meu pai procurando novidades para entreter a turma. Ele sabia nome de plantas, filosofava sobre formigas, besouros, natureza. Minha mãe, a pessoa mais friorenta que já conheci na vida, acredito que tenha ficado o dia no galpão. Não a vejo nos meus flashes de memória.

Cai a noite. Imagino que nós sem banho, mas a ideia era dias diferentes, então ficar sem era a própria aventura.

Chega a hora de  dormir. Falar que estava frio é redundante. Garantindo os tacapes da viagem – choveu de novo na madrugada. As barracas pareciam que iam levantar voo com o vento. Assim, uma vez mais, repetimos a situação de amontoar todo mundo para ver se esquentava um pouco. O frio vinha por baixo, por cima, pelas laterais das barracas. O piso cada vez mais gelado. E dali pra cima, não havia o que esquentasse.

No domingo pela manhã não havia uma só pessoa desejando permanecer lá até o almoço para então pegarmos a estrada. O  plano era retornarmos para casa logo após o almoço para chegarmos no fim de tarde em Curitiba e os pais irem “resgatar” suas filhas e filhos no local combinado. E, mediante aplausos, a decisão unânime foi que era melhor fazer hora na frente da escola em Curitiba, dentro do ônibus, do que ficar lá, fazendo nada no frio.

E começamos a desmanchar o acampamento. Nunca foi tão rápido. e no ônibus tão silencioso. Como as duas noites haviam sido em claro, o chacoalhar do ônibus foi a canção de ninar que faltava para os aventureiros.

Por sorte meus filhos tiveram na infância um pai aventureiro. Não na proporção dos tacapes como foi o meu.  Eu tenho mil histórias acontecidas nos passeios em família quando criança.  Até meus 12/13 anos esses programas eram práticas da casa, principalmente piqueniques de dia inteiro, nos arredores da cidade. Depois o destino se cumpre e as histórias se modificam.

Até hoje quando vejo alguém acampando no inverno me vêm à memória este fim de semana. Sinto frio só de lembrar. Mas lembro também das risadas e cantorias de um monte de pré-adolescentes se imaginando gente e dominando o mundo, que, ironicamente, ia até Guarapuava.

 

Meditação Minuto

Respiração é tudo.

É só controla-la para que seu estado mental se modifique.

Está nervoso? Tente respirar longa e pausadamente.

Ansioso e agitado, duas vezes a receita acima. Isso significa que vai precisar de mais atenção na sua respiração.

Está triste? Preste atenção na sua respiração apenas. Sinta a velocidade com que inspira e expira. Acompanhe o movimento do pulmão.

Não precisa “apagar a mente”. É só achar algo para focar – e este algo é a sua respiração.

O vídeo indicado é simples e prático.  Não custa nada tentar, não é mesmo?