Arquivo mensal: janeiro 2015

Casamento – vida a dois

casamento

Casamento, vida a dois.

 

Pedi pro Dalton uma palavra desafiadora para eu escrever sobre, e ele me propôs: Casamento – vida a dois

O que faz um casamento funcionar?
Usar o controle remoto, as teclas sap, o mute acionado.

O que faz um casamento durar?
Silêncio budista, olhar de paisagem, sexo caliente, muita sacanagem.

O que faz um casamento dar certo?
Cumplicidade, amizade, desejo e paixão.

O que faz um casamento ser exemplo?
Amor, projetos conjuntos e comunhão.

O que faz um casamento ser festejado?
Família unida, amigos brindando, sonhos de felicidade.

O que faz um casamento ter brigas?
Pessoas parecidas, vontades desiguais
Lados opostos, projetos individuais.

O que faz um casamento ser eterno?
Controle remoto, silêncio budista e paixão.

O que faz um casamento ser invejado?
Cumplicidade, sexo caliente e felicidade.

O que faz um casamento acabar?
Olhar de paisagem, família unida e vontades desiguais.

O que faz cada casamento ser único?
Projetos conjuntos, muita sacanagem, amor e comunhão.

A receita é inexata, assim como tudo mais
Casamento não tem fórmula, não se teoriza,
Casamento se vive, se experimenta, se prioriza.

 

Criar histórias

Phillipe Kerlo

 

Num momento de brincadeira,

me dou novamente um tema:

Criar histórias, é o da vez.

Deixar a mente livre, sem mordaça.

Soltar a imaginação e não saber onde vai acabar.

Ver as palavras surgindo saltitantes,

Pelo tanto que tenho pra contar.

Podem ser histórias fracas,

Histórias lindas, ou ainda reais.

Podem ser fantasia, coloridas,

Ter fadas, duendes, alguns animais.

Podem ser drama, escuridão,

Com fantasmas internos, talvez alguns crimes e solidão.

Quem há de saber onde acabo eu e começa a ficção?

Me coloco inteira no que escrevo,

Ou apenas solto a imaginação?

É bom não ter resposta,

De uma forma ou de outra,

Será sempre minha criação.


 

Foto by Phillipe Kerlo – maravilhosa

Fim da trilha

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Quando o caminhar parece fardo para quem acompanha                                                                      Não para quem caminha                                                                                                                                       A solidão diz bom dia                                                                                                                                               Larga o corpo, aniquila.

Quando o abraçar parece fardo para quem abraça                                                                                Não para quem se aninha,                                                                                                                                     A solidão diz boa tarde                                                                                                                                            Solta os braços, infantiliza.

Quando a união parece fardo para quem chega,                                                                                  Não para quem convida                                                                                                                                         A solidão diz boa noite                                                                                                                                             Destrói o sono e martiriza.

Um Karmanguia e a Copa de 1970

Vou começar transcrevendo um trecho da Martha Medeiros que me levou a ter uma crise de riso por conta das lembranças que o conto me trouxe.

“A primeira vez que fui ao Rio de Janeiro tinha 12 anos. Fui com meu pai, minha mãe e meu irmão, todos amontoados num Karmanguia TC. Meu pai devia ter algum complexo por não ser piloto de Fórmula 1, ao menos é a explicação que eu encontro para ele dirigir com os dois braços completamente estendidos e o banco reclinado a distância máxima do volante. Ou seja, eu e meu irmão viajamos 1.500km de Porto Alegre até o Rio sentados atrás do banco da minha mãe. Deve ser por isso que somos tão próximos até hoje…”

Adoro os escritos da Martha Medeiros e minha identificação com ela, neste trecho, foi imediata. Ri muito. Riso frouxo mesmo, como se fosse a melhor piada do mundo.

Karmanguia

Penso que se meus irmãos lerem meu blog  vão se identificar também (e saberei se eles me leem). Nosso pai também foi um apaixonado pelo Karmanguia. Eu não sei dizer se era GT ou não. Deixo este reconhecimento para meu irmão, que, não duvido, deve saber até a placa do bólido. O nosso era vermelho, com o teto preto, e nós andávamos nele em seis pessoas. Meus pais na frente, com meu irmão sentado no meio deles, meio que no colo da minha mãe. Eu e minhas duas irmãs socadas no que diziam ser um banco traseiro. Eu ficava na janela atrás do banco do motorista, minha irmã mais nova no meio, e a outra, na janela correspondente ao carona.

Entretanto o carro era tão apertado que dá pra dizer que andávamos amontoadas no banco de trás, ou melhor, em metade do meio banco, já que meu pai também se sentia o próprio Emerson Fitipaldi e dirigia com o banco no último encaixe e encosto reclinado, quem sabe se para olhar o teto do carro. Nunca entendi.

Não chegamos a viajar no super carro. Lembro bem da nossa maior aventura. Saímos com ele pelas ruas de Curitiba quando o Brasil se sagrou campeão da Copa do Mundo de Futebol de 1970.

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Visualizando a cena, fomos os seis, cantando aos berros “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração…“, e portando uma bandeira do Brasil maior que o próprio carro, em um mastro enorme entrando pela janela do motorista e preso entre o banco e a porta. Eu imaginava que se desse uma rajada de vento muito forte e a bandeira flamulasse fortemente, o carro viraria.

Pode até ser que a minha mente de criança tenha criado esta cena, mas tenho certa a imagem de nossa alegria – como mudei. Atualmente, futebol pra mim e nada estão quase empatados. Lembro também da cara fechada da minha mãe, com medo que algo acontecesse conosco, pois ao descer a rua ao lado da Biblioteca Pública, passando pelos fundos do Edifício Asa, o trânsito estava parado, e as pessoas jogavam de tudo pelas janelas dos apartamentos. Tudo para comemorar o Tricampeonato. Resistimos todos ao episódio – o Karmanguia, a família, o casamento e a bandeira.

Martha viajou 1500 quilômetros. Eu viajei até minha infância.

 

Música: http://www.youtube.com/watch?v=Pw6B2QoKUoE

Por que viajar…

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Uma das coisas que mais gosto de fazer é viajar. Não aventureira, ou desorganizadamente. Um pouco de ordem faz parte de mim, agora até pela minha “experiência”.
Não falo de viajar para hotéis cinco estrelas, embora um quarto gigante e uma cama mega, com lençóis de mil fios seja um verdadeiro sonho.
Falo da experiência de viajar e me descobrir no destino. Visito pontos turísticos, faço roteiros (apresento aqui meu acompanhante há 31 anos, que é quem na realidade faz os roteiros), mas adoro me perder numa nova cidade. Não, não quero dizer ir pros bairros perigosos e ficar desprotegida. Digo, ainda que estando dentro de um roteiro pré determinado, encontrar uma rua que pouca gente visita. Entrar em um café mais simples onde não recebem turista frequentemente, sentar numa praça mais comum. E por fim, adoro mercados. Mercados de frutas, verduras, farinhas, temperos…
Pode parecer estranho, mas não saio atrás de especiarias nestes locais. O que me encanta são as pessoas, os sotaques, a simplicidade.
É descobrir a cultura local; como vivem as pessoas. Por que o relógio delas bate tão diferente do meu.
Passar por uma feira, por um armazém. É muito bom.
Adoro museus, livrarias. Sebos então, que perdição. Mercado de pulgas, dá pra passar o dia.
O bom de viajar é conviver e ter que aprender e respeitar, na marra, outras culturas. Muitas vezes é rir dos costumes locais, estando certa que eles estão rindo também de mim, pela mesma estranheza. É aprender a ser tolerante com as diferenças culturais e acatá-las no final.

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Tudo bem, já fui para alguns resorts e quase não sai da piscina. Conhecer os arredores e a sala de ginástica (fitness centre) parecia tortura. Mas não são estas viagens que mais me encantam. Nestas situações havia sempre muita gente, festa, comemorações e o propósito era estarmos juntos, e sair passar o dia “conhecendo os arredores” não estava nos planos. Até neste caso há que se entender a finalidade do passeio.
Viajar de avião é prático; mas quantas aventuras (atualmente repenso este conceito pelo medo do estado das nossas rodovias) tive com meus filhos quando saíamos de férias, de carro. Aprende-se geografia, história, matemática (gasolina+alimentação=tempo no posto de gasolina), divisão de espaço dentro de um carro num percurso longo; paciência. E, aguentar os “trocentos” Já estamos chegando? durante o percurso, como diz o burrinho do Shrek, um exercício mental.
Eu gosto de gente. tentei aprender línguas justamente para me comunicar fora de casa. Mas a comunicação em viagens está no sentir, no entender, no buscar não ofender o modo de vida dos habitantes locais.

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E por mais que haja o google maps, o gps, os tradutores, penso que devo (não digo devemos), que eu devo me entregar ao local. Deixar que seus sabores, seus cheiros, suas sensações tomem conta de mim. Que a beleza dos lugares, ou até mesmo a feiura, façam suas marcas. Boas marcas.
Desta forma posso crescer como pessoa. Me abrir como cidadã do mundo. Entender as diferenças ente o primeiro e terceiro mundos, e destas diferenças aplicar o que for de positivo para melhorar o lugar onde vivo.
Quer queiramos ou não,- e aqui sim, faço a inclusão da população cuiabana; nós também deixamos marcas onde vivemos. As pessoas que nos visitam, sejam a trabalho, turismo, ou qualquer outro motivo, levarão com elas a percepção e marcas em si mesmas.

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Agora pouco vi este vídeo no site do TED, quem quiser ver, muito bom. Uma experiência modificadora no mundo.

Longe de mim, de nós

Tia GÊ

Nunca soube quem me chamou de Giquinha pela primeira vez, mas sei com certeza quem mais usou o apelido pra me chamar.

Aquele Giquinha esganado, da infância à vida adulta. O Giana deixado para as conversas sérias, as horas dos puxões de orelha e pra falar mal do meu cabelo. Ou então pra me tirar da frente da televisão e me entregar agulhas de tricô, para mais um cachecol, uma manta, um casaquinho. Foram quilômetros de novelos.

Mas com certeza sempre foi o Giquinha mais carinhoso que eu recebi. Um Giquinha que hoje só escuto raramente nos meus sonhos, mas que estão fincados no meu ser.

Como eu gostaria de poder alcançá-la tia. Saber onde você está e com quem passa o dia conversando. Como eu queria poder dar uma resposta cínica para suas reclamações e vê-la rir depois que eu falava a besteira. Como eu queria poder passear mais uma vez de carro com você dirigindo e quase infartar com o quão devagar você ia.

Como que queria comer suas torradas de pão preto, compradas do outro lado da cidade, só porque você gostava daquela panificadora e reclamava das que ficavam perto da sua casa, afinal elas não permitiam você passear para comprar pão.

Como eu queria ouvir de novo você me falar que meu quarto estava pronto pra hora que eu quisesse chegar e saber que minha cama sempre teria o melhor perfume para embalar meu sono.

Como eu queria hoje poder lhe dar um abraço  e mais uma vez agradecer pela adoção de coração. Minha e de minha família.

Aonde quer que você esteja tia, estou também. Num lapso de memória, ou ainda que na falta dela.

Feliz Aniversário Mãe Gecília.

 

 

 

 

Para 2015

 

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E chegou 2015. Que seja bem-vindo!

Estranhamente, pela primeira vez,  passei o réveillon dormindo. Bem, ainda não estava “dormindo”. Havia acabado de deitar e estava naquela fase do sono onde se alguém falar com você há duas alternativas: responder e  perder o estado alfa do seu sono; ou continuar longe e não responder e ganhar um soninho bom imediatamente.

Eu estava em alfa e ao longe ouvi o espocar dos fogos. Entretanto não continuei sonada. Dei um beijo no marido, desejei um ano incrível pra nós e voltei ao meu estado meditativo.

Este ano por conta de uma gripe em hora errada (plenas férias) e de uma preguiça merecida (lema: Invente, faça em 2015 algo diferente) me dei o direito de não fazer resoluções de ano novo. Fiz tantas a vida toda, algumas cumpridas outras não, que finalmente acredito não mudará minha vida se não as fizer nesta data.

As de sempre – dieta (desnecessária, mas faz parte do universo feminino); academia e parar com o refrigerante, estão firmes em minha mente. Continuam lá me lembrando do quanto sou falível e inconfiável. Afinal, quem diz a si mesmo que vai parar de tomar refrigerante e coloca a Coca-cola fora desta lista pode ser confiável? Assim, se eu conseguir, agora no início do ano, tomar a Coca pelo menos aos finais de semana, já vai ser um ganho e mais, sem mentir pra mim mesma. As demais fazem parte de mim – não sou rata de academia, nem uma exigente gourmand, mas sinto falta de movimento físico e não enfio mais o pé na jaca nas refeições. Estou na fase do comer menos, dormir menos e caminhar mais. E rir mais também.

De certeza pra este ano: Nada de pequi, quiabo nem jiló. Posso até estar me prejudicando, mas nem perto deles eu vou passar!

O que quero dizer é que vou tentar, neste ano,   ser diferente. Estou cada vez mais curiosa em assuntos com os quais tinha pouca intimidade – informática,  artesanato, decoração, física quântica, entre outros. Boa parte das coisas que vou tentar, foram feitas para  darem errado. Se derem certo, ótimo. Caso contrário, me reinvento na próxima tentativa.

Já estou com alguns livros separados na prateleira. Tenho uma lista de filmes que não fui ver no cinema e que vou assistir – pra isso existem as sextas-feiras. E, o mais importante, é que resolvi – e não numa resolução de fim de ano – é me deixar mais leve. Leve de gente pesarosa e que não me agrega nada. Leve de tentar resolver o que não é da minha conta e que não me cabe. E ainda, leve de ter expectativas sobre outras pessoas e ao mesmo tempo de eu criar expectativas a meu respeito nas pessoas também.

O amadurecimento tem suas vantagens. A renovação também. Mas não necessariamente esta renovação tenha que se dar no dia 01 de janeiro. Elas acontecerão o ano inteiro. E outra resolução é não deixar de criar novas resoluções – para todos os meses.

Meta, foco, determinação. Leveza, alegria, sintonia. Só quero conseguir que caminhem juntas.

Feliz sempre pra todos. Não só 2015, mas também em 2015!

* ilustração  mandala – flordelotus13