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Dona Morte não pede passagem.

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Estamos traumatizados. Mesmo quem não tinha ouvido falar do time do Chapecoense agora chora. Chora pelo susto, chora pela imprevisibilidade, chora pela juventude reunida naquele grupo. Chora uma nação futebolística e um país tão sofrido.

Chora por, além dos jogadores, comissão técnica, convidados e jornalistas, por não entender a razão do tal “chamamento”. Chora pelo vácuo que a repetição das notícias em todos os meios de comunicação vai criando. Mesmo quem não gosta de futebol, quem nem sabe onde fica Chapecó se solidarizou.

Que lições podemos tirar deste momento de dor?

Um: A dona Morte não pede passagem. Ela chega sorrateiramente  e bum,  está feito o estrago.

Dois: Não sabemos nada nesta vida. Nada mesmo além de que as duas certezas máximas são: Nascemos e morremos. Sem saber quando, como nem o porquê. Podemos até filosofar acerca do assunto, buscar estudos sociológicos, religiosos, antropológicos e todos os “gicos’ do dicionário. Ainda assim, não sabemos. Nos agarramos às teorias com as quais mais nos identificamos para justificar nossa pretensa aceitação. Ainda mais quando dona Morte vem assim – de roldão e faz um strike.

Três:  A vida é curta. Muito curta.

Nem que tenhamos cem anos, ela sempre parecerá curta em relação ao universo, à grandiosidade inexplicável de nossa  existência. Um minuto pode ser muito tempo quando da espera pelo remédio por quem agoniza de dor; e ao contrário pode ser muito longo ao se tomar a injeção que curará. Pode ser muito curto quando damos um beijo de despedida, e pode ser muito longo quando esperamos o retorno daquele que está para chegar.

Quatro: Não deixemos para amanhã o amor que  podemos viver hoje. Entreguemo-nos, amemos, soframos, nos apaixonemos mais e mais todos os dias. Não esperemos o encantamento vendido nos contos de fadas. Vivamos o possível, o verossímel.

Cinco: Não deixemos  para o amanhã quem desejamos ser hoje. Que mantenhamos o foco, a busca por conhecimento e  aprimoramento. Com os nãos e sins que os dias nos trazem, procuremos ser o melhor que podemos ser  hoje.

Seis: Abracemos quem nos são queridos, pais, mães, parentes, amigos, companheiros, cúmplices de vida e de festa. Abraço retendo o calor de todos num aperto longo. Coração com coração. Entrega total neste momento.

Sete: Respeitemos o humano e o divino que vive em nós. Não precisa ser  o santo, o curador da humanidade. Simplesmente que nossas ações  para com a humanidade sejam como gostaríamos  de sermos tratados, cada um a seu modo. Sem mais, nem menos.

Oito: Respeitemos  o humano e o divino que vive ao nosso lado, não importa qual o papel dele no desenho da vida. É só repetir  para com os outros a norma número sete desta lista.

Nove: Tratemos o Universo com carinho. Ele sobreviverá sem nossa presença, mas nós, ao contrário, não sobreviveremos sem este ambiente. Não digo no sentido de nos  tornarmos monge  ou ermitões. Mas o do não desperdício dos recursos naturais  e científicos à nossa disposição.

Dez: Sejamos gratos. Gratidão até pelo que  não entendemos  ou não temos. Gratidão pelas oportunidades, pelas realizações passadas e vindouras. Gratidão pela Luz que clareia a nossa própria escuridão. Grato pela escuridão que faz com que não sejamos ofuscados por esta mesma Luz num ciclo constante de novos desafios, novos encontros e buscas.

Lembremos que além de não pedir passagem a dona Morte é soberana e nos aplica incansavelmente  o ensinamento da finitude, na forma e nas datas que menos esperamos.

Só nos resta aceitar e retomar os ensinamentos mais e mais.

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Namastê!