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Das #hashtags# da vida. #Qualasua?

Dias atrás li a hashtag #partiuadauto  em uma mídia social e, no contexto brincalhão da postagem, me deu o que pensar.

Para quem não sabe Adauto Botelho foi, junto com dois colegas, um dos fundadores em 1921 do Sanatório Botafogo, no Rio de Janeiro e o tornou um dos mais famosos hospitais para doentes mentais do país (ainda não se usava o termo hospital psiquiátrico), e ele, um dos mais renomados psiquiatras e referência nacional em saúde mental até hoje.

A hashtag muito simples e divertida, politicamente incorreta, faz parte do imaginário social quando se refere a pessoas não necessariamente enfermas, mas  gente  ‘meio ou totalmente fora da casinha’ nas ações do dia-a-dia ou em seus relacionamentos sociais e amorosos. Usada no sentido de relacionamentos com gente diferente, ora possivelmente enferma, ora simplesmente fora dos padrões sociais vigentes.

felicidade

Me fez pensar em diversos casos em que nos relacionamos com pessoas ou situações que nos fazem mal psicologicamente, conscientemente ou não, e  permanecemos regando esse estado de loucura.

Podem ser situações tais como:

  1. Relacionamento abusivo. Com certeza você conheceu ou já se relacionou com alguma pessoa ciumenta, do tipo que quebra copos e atira no companheiro o que tiver à mão ou parte para agressão por qualquer discussão. E, permaneceu no relacionamento porque acreditava que toda essa loucura era prova de amor. (Espero que só conheça, e que não seja você o abusador nem o abusado).
  1. Sherlock Holmes. Vê sombra de “outro” em qualquer folha de papel rabiscada? Faz revista em bolsos, bolsas, malas e todo dia, toda hora, todo instante checa as mensagens do celular, tablets, pcs e ainda exige as senhas pessoais da sua cara metade. Algumas vezes ainda, porque o comportamento é recíproco ou porque o vigiado até gosta e se sente amado, mantêm-se ambos nesta loucura desvairada em nome de um arremedo de amor e cuidado.
  1. Situações profissionais enfrentadas em um local de trabalho insalubre. Não a insalubridade definidas nas NR trabalhistas, mas sim porque todos os que trabalham no local não conseguem estabelecer uma boa relação com seus colegas. Ou estão insatisfeitos com o trabalho que desenvolvem por inaptidão, ou inadequação à função exercida. Há também os que permanecem na empresa porque precisam do salário no fim do mês, todavia detestam o que fazem.
  1. Minha tribo, o que estou fazendo aqui? Há pessoas por necessidade de pertencimento em algum grupo social se aviltam em permanecer com outros os quais não têm nada comum, somente por medo de uma pretensa solidão, ou vontade de ser o que esses outros aparentam ser naquele grupo. Aquela loucura adolescente de estar com uma tribo e ser reconhecido externamente como pertencente a ela. Quem nunca?
  1. O enturmado deslocado. Permanecer em festas, espetáculos, passeatas ou torcidas organizadas, por exemplo, não se sentindo confortável naquela situação, simplesmente por não saber dizer Não, obrigado. Vou ficar em casa lendo um livro ou jogando futebol de botão com meu avô. Não é o caso de vez ou outra entrar numa fria com os amigos ou colegas. É o comportamento reiterado de se colocar nesta posição.

Há vários outros exemplos de situações fora da casinha. A decisão de permanecer nela ou não depende de autoconhecimento e confiança. Há, porém, quem goste e necessite  viver nessa loucura por mil razões.  O melhor seria cada um ter consciência do que está procurando,  o que está vivendo e o resultado de suas escolhas. Nesse caso a hashtag poderia ser outra, como #partiufelicidade!.

shivu-k

 

Publicado no site O segredo no dia de hoje.

*Fotos acervo e internet.